terça-feira, 20 de novembro de 2012

considerações acerca de

 http://www.notaderodape.com.br/2012/11/sob-ataque-e-sem-controle.html

bem intencionado, mas meio frouxo

tipo, acho mais válido considerar o crescimento da cidade junto ao crescimento da violência - a violência cresce com a cidade, mas a cidade não tem nem espaço nem estrutura para abraçar esse crescimento (a situação das cadeias é análoga, não um efeito à parte). florianópolis é uma cidade grande que ainda não se sabe grande, que ainda se imagina pequena, turística e paradisíaca. florianópolis é uma cidade em negação.

os pontos sobre a polícia são bem problemáticos. tipo: Ou seja, continuaram lá, provavelmente agindo da mesma maneira. - como assim ~provavelmente~? ou você vai lá e questiona essa situação (pergunta sobre o controle que a instituição mantém sobre seus agentes, pede pra ver, etc, exige algum tipo de transparência na ação da entidade - se derem, ok, você deixa essa parte passar, se não derem você questiona e problematiza esse protecionismo possivelmente nocivo e criminoso) ou isso não cabe na matéria. entendo o sentimento da afirmação, mas ela em si, assim solta, é de muito mal gosto. (aliás, esse é um problema que eu ando tendo com o jornalismo: a falta de responsabilidade que tá implícita no jornalismo como uma coisa datada, passageira; o jornalismo deveria tomar uma posição de pressão, e revisitar esse tipo de coisa acontecimento/denúncia de tempo em tempo: a gente reclama da gerência da cidade, mas enquanto profissionais nós também reagimos de susto em susto)

é ok citar a lei do talião e o beccaria, mas, ao mesmo tempo, se você quiser entrar nos méritos de filosofia do direito, é meio foda parar num cara de 1764. entendo que a intenção é mostrar que a mentalidade que manda hoje tá ultrapassada quase 300 anos, mas você abriu um diálogo muito maior e deixou ele incompleto. tipo, dizer que o talião só não funciona é meia boca, e não é como se fosse difícil achar algum filósofo moderno (ou professor de filosofia, ou direito) para te dar uma citação que valide essa afirmação. tipo, é pra ser jornalismo, né?

na mesma veia, não é especificamente complicado encontrar alguém da polícia que expresse os sentimentos da polícia (que, para eles, justificam suas ações), mesmo que se omita o nome, que seja um cabo ou um soldado, até porque os oficiais são figuras públicas que têm uma carreira política, então se manifestam com restrições, etc. o problema da violência não é só a violência, mas é a cultura e o ambiente que cria ela. a polícia é uma força de controle, e o problema real é esse: ela não age com força-pela-força, ela age como uma força de imobilidade (então claramente anti-manifestação, se pá anti-social-democracia [forcei a barra, haha, mas acho isso meio verdade]) - e talvez a verdadeira questão seja como é que ela é validada, ou que deve se comportar dentro desse sistema de valores e direitos humanos? e isso retorna ao problema lá do começo da minha reclamação, de uma incompetência gerencial, de florianópolis se ver pela sua própria utopia, e não pela sua realidade.

de qualquer maneira, achei bem relevante.

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