domingo, 2 de janeiro de 2011

filosofias da iliteratura: quem é artista e o que mais eu não sei

isso é para dizer, paixão, que vivemos errado

o processo ganha da obra, porque o artista nunca leva a obra com ele, mas o processo e apenas ele (um escritor não se lê, nem diretor se vê); a relação com a obra é a arquitetura, nunca o resultado, que é perdido - o público, por outro lado, conhece a obra apenas quando ela se desenrola pronta, revela-se; a revelação do artista é abstrata, é a idéia-chama-inspiração, quando a obra é o trabalho e o processo o resultado (onde pode morar a revelação, também. fazendo um ciclo, que chega a:).

isso porque ao artista vale a arte e a vida é a arte (a arte da vida: je vous salue, sarajevo), o que os outros tocam em seguida é a morte --

parênteses: em matadouro5, sobre os extraterrestres (bear with me) que podem rever o tempo todo a vida, e consideram que a morto é uma situação temporariamente ruim, porque os momentos melhores, do passado, estão acontecendo também, sempre, e tudo vira uma questão de foco; nós vivemos apenas no presente e no potencial de futuro, porque o passado é abandonado o tempo todo, inevitavelmente (mesmo que não esquecido, e aí não é arte, é saudade ou dor), mas a morte é a perda do potencial do futuro, com a impossibilidade natural do passado, fazendo com que ela seja o presente eterno; e a experiência do presente é meramente de reação, passiva, de expectativa; assistir a arte não é viver a arte, é ser morto; o artista só existe quando está realizando arte. parênteses fechados.

enquanto sarajevo, da arte que acontece, a concepção de cultura, de percepção do público, do leitor, nasce a opressão. faz arte de mão contrária, vai de oposto, porque tende à assepsia, à técnica; a arte é vida e vida tem que ser honesta, sentida (de dor e de amor, de preferência juntos), a técnica é filha da obra, nunca do processo, porque todo processo é caos e erro, nem por isso não faz obras lindas e falhas (toda falha é nossa força, todo mundo odeia no outro o que um dia fez o amor; odiamos e amamos exatamente o mesmo pedaço), porque honestas; e honestidade enche de valor o que um dia pareceu vazio - a superfície da técnica endurecendo processo, o ensaio sobre ensaio, o desespero de achar a voz certa, o exercício de relaxamento (tudo merda, tudo te fazendo o outro artista, tudo matando o artista que acorda porque tem que escreverfilmarcantar) -, porque a cultura mata a arte, mata o artista; todo mundo é artista, menos quem se acha artista, que acha que a sensibilidade que lhe dói, dói mais que os outros; artista é o outro, virando autor da tua obra (beijos, barthes), fazendo analogia da tua revolução, sendo o deus do teu mundo da fantasia; aprender a viver como artista, a ser grande, a ser bom, é aprender a ser o outro ser estranho de si mesmo, sem a vontade da arte da arte (repetição proposital), vivendo arte, sendo corpo sem órgãos (ah, deleuze, te odiei mas hoje te sinto falta; nem faz tanto tempo, mas esse dezembro que foi voando foi muito pro meu coração), sendo paixão e força adiante, como se não pudesse evitar a vida arte se fazendo, sem controle.

enfim, todo grande poeta nasceu para ser servidor público, para não manchar a arte com a cultura venenosa que faz o artista local-artista (achando que ler shakespeare faz bem pro coração); A POESIA É A SERIEDADE MORTA DA ALMA, que só vê vida no poeta que a escreveu, revivendo o passado (a arte para o artista é uma máquina do tempo / e é por isso, meu amor, que eu não me leio mais).

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