* Red, do King Crimson (a música, principalmente), tem uma coisa de Magma muito forte (possivelmente o contrário, já que puxa demais à De Futura, que é posterior), o mesmo abafamento construtivo-arquitetal do Zeuhl, altamente auto-envolvente e intelectual (e foda). A grande diferença é a inevitável e gloriosa explosão ao fim de Starless, um dos ápices da música (sem restrições, música como todo o universo de coisas melodiosas e não-melodiosas que envolvem sons e devaneios, ou palavras escritas, ou corações batendo, enfim).
* A expressão Guerra Civil Espanhola me enche de um carinho absolutamente lindo e me remete imediatamente ao conto da execução dos fascistas da cidade que me escapa o nome, em Por Quem Os Sinos Dobram, como contado pela Pilar. Eu não tenho nenhuma certeza de até que ponto a imagem que se forma na minha cabeça foi descrita no livro (o Hemingway é bem econômico, convenhamos), mas na hora se forma o retrato de um chão de pedras escuras e azuladas num quase roxo que traça uma linha contra o horizonte; por trás dessa linha: o mar, como se o chão em si levasse a um desfiladeiro construído pelos homens; o mar é de um azul escuro, o céu de um azul claro, o sol quase branco, as casas ao redor de cores levemente manchadas e comidas pelo tempo e a maresia, e ao mesmo tempo tudo parece ter um cor linda de trigo; e muitas pessoas, que vêm surgindo de onde meus olhos não podem ver, mas muito distantes, através de mim, e caminham não raivosos e monstruosos, mas com um ímpeto muito forte; enfim. Em resumo: nessa semana me dei conta que esse é um dos meus livros favoritos.
* James Blake é o novo Brian Wilson (por algum motivo isso me dá vontade de comparar alguém aos Beatles, então eu escolho o Panda Bear como novo John Lennon, but not really). Tem uma coisa muito triste nas composições dele (que é uma coisa meio natural do estilo, do sentimento natural da geração, da textura natural das paisagens eletrônicas, levemente impessoais, distorcendo tudo para um mesmo auto-tunado tom perfeito, impermissível e ascéptico), e ao mesmo tempo orquestral/sinfônica nas combinações de harmonias e recortes sobrepostos; a música dele é certamente mais espaçada (é como se mal existissem melodias, cada nota aparece ao seu tempo e ou se repete ou se estende interminavelmente, enquanto outra surge do rastro que essa deixa, e assim por diante) e minimalista, mas tem um mesmo fantasma por trás. Esperamos que ele não fique louco. Ele também é mais novo que eu e isso me deixa triste.
* A expressão Guerra Civil Espanhola me enche de um carinho absolutamente lindo e me remete imediatamente ao conto da execução dos fascistas da cidade que me escapa o nome, em Por Quem Os Sinos Dobram, como contado pela Pilar. Eu não tenho nenhuma certeza de até que ponto a imagem que se forma na minha cabeça foi descrita no livro (o Hemingway é bem econômico, convenhamos), mas na hora se forma o retrato de um chão de pedras escuras e azuladas num quase roxo que traça uma linha contra o horizonte; por trás dessa linha: o mar, como se o chão em si levasse a um desfiladeiro construído pelos homens; o mar é de um azul escuro, o céu de um azul claro, o sol quase branco, as casas ao redor de cores levemente manchadas e comidas pelo tempo e a maresia, e ao mesmo tempo tudo parece ter um cor linda de trigo; e muitas pessoas, que vêm surgindo de onde meus olhos não podem ver, mas muito distantes, através de mim, e caminham não raivosos e monstruosos, mas com um ímpeto muito forte; enfim. Em resumo: nessa semana me dei conta que esse é um dos meus livros favoritos.
* James Blake é o novo Brian Wilson (por algum motivo isso me dá vontade de comparar alguém aos Beatles, então eu escolho o Panda Bear como novo John Lennon, but not really). Tem uma coisa muito triste nas composições dele (que é uma coisa meio natural do estilo, do sentimento natural da geração, da textura natural das paisagens eletrônicas, levemente impessoais, distorcendo tudo para um mesmo auto-tunado tom perfeito, impermissível e ascéptico), e ao mesmo tempo orquestral/sinfônica nas combinações de harmonias e recortes sobrepostos; a música dele é certamente mais espaçada (é como se mal existissem melodias, cada nota aparece ao seu tempo e ou se repete ou se estende interminavelmente, enquanto outra surge do rastro que essa deixa, e assim por diante) e minimalista, mas tem um mesmo fantasma por trás. Esperamos que ele não fique louco. Ele também é mais novo que eu e isso me deixa triste.
Sem comentários:
Enviar um comentário