Os Selvagens da Noite (Hill, 1979) funciona apenas como presença, os atores escolhidos mais pela figura do que pela atuação - eles falam pouco, correm bastante e, de movimento em movimento, tem essa pose ereta; é um ar teatral meio Laranja Mecânica, mas substituindo a força visceral e psicótica por uma coisa meio artística, artístico como afetado -, assim como os vilões fazendo carão antes de se tornarem contagem de corpos. Mas isso funciona, porém, pelo mise-en-scène da madrugada urbana; é essa coisa dos anos 80 de metrô e blocos de concreto e pontes de ferro, com pixação de cores, de fogo que surge do nada, e violência, que coloca a cidade como um tipo novo de natureza - e os jovens como seus habitantes naturais - ao invés de civilização, as gangues apenas reforçando a involução social, que torna o instintivo e superficial da história algo quase de honesto. Pontos extras: gente morrendo atropelada pelo metrô.
O Martírio de Joanna D'Arc (Dreyer, 1928) é um exercício de contraste. Não se esperaria atuação menor do que a de Maria Falconetti, num tour de force de close ups solitários em fundos brancos, mas há de se considerar o trabalho composicional do Dreyer - o contraste se dá já na própria fotografia, com pouco entre o monocromático das paredes nuas e as sombras -, intercalando esse tal martírio da personagem, essa série perversa de dúvida loucura certeza dor e divindade, no rosto limpo de Falconetti, com os rostos, quase máscaras renascentistas, dos interrogadores - precisa-se de um coração muito duro para não tomar lado da única coisa que ressoa como realmente genuína na película. Pontos extras: Nicolas Loyseleur interpretado por, pasmei-me, Maurice Schutz.
O Martírio de Joanna D'Arc (Dreyer, 1928) é um exercício de contraste. Não se esperaria atuação menor do que a de Maria Falconetti, num tour de force de close ups solitários em fundos brancos, mas há de se considerar o trabalho composicional do Dreyer - o contraste se dá já na própria fotografia, com pouco entre o monocromático das paredes nuas e as sombras -, intercalando esse tal martírio da personagem, essa série perversa de dúvida loucura certeza dor e divindade, no rosto limpo de Falconetti, com os rostos, quase máscaras renascentistas, dos interrogadores - precisa-se de um coração muito duro para não tomar lado da única coisa que ressoa como realmente genuína na película. Pontos extras: Nicolas Loyseleur interpretado por, pasmei-me, Maurice Schutz.
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